Resumo

Geralmente se diz que os usuários não conseguem transmitir o que querem, mas quando vêem algo e começam a utilizá-lo, logo sabem o que não querem. Construir para pensar, talvez seja esta a melhor maneira de apontar o verdadeiro poder da prototipagem e a que esta se propõe. Para explicar melhor na prática este poder abordaremos a seguir um pouco da história, metodologia e a idiossincrasia da prototipação para uma das maiores empresas de consultoria em design e inovação no planeta, a IDEO.

Palavras Chave
Design de Interação, Prototipação, IDEO

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Com a recente popularização das máquinas fotográficas digitais, as pessoas começaram a “revelar” menos fotos e a ver e mostra-las através do computador, celular ou televisão. Porém nem sempre estas são as melhores opções. Além disso, ao não revelar a foto, não é possível montar um porta retrato para mostrar as fotos aos amigos e familiares.

Uma proposta para solucionar o problema foi a criação dos porta-retratos digitais. O que foi analisado neste artigo é um modelo da Philips, que também é um aparelho multifuncional como a maioria dos outros porta-retratos. As outras funções presentes no aparelho são: calendário, relógio, alarme(despertador) com 2 horários, tocador de Mp3, Rádio FM, tocador de vídeo e sleep (tocar uma música relaxante para dormir).

Mas será que este aparelho com tantas funções é capaz de funcionar bem como um despertador? Será que todas estas outras funções não atrapalham o usuário a conseguir acordar na hora certa sem muitas dificuldades na configuração?

Descrição do produto

O porta-retrato possui uma tela LCD de 7” e uma caixa de som frontal. Na lateral esquerda, uma porta USB e uma SD para entrada de dados (não possui memória interna). Na parte frontal 11 botões. Na parte superior-frontal mais 3 botões, totalizando 14 no aparelho. Na lateral direita encontra-se um knob de volume. Na parte traseira ficam o fio da antena do rádio e entrada da tomada de energia.

Botões frontais: Menu, Clock, Tuner, Photo/Video, Music e Sleep.

Botões superiores: Alarm 1, Repeat Alarm, Alarm 2

Botões laterais (esquerda): Seta para cima e seta para baixo

Botões laterais (direita): Ok, Seta para a direita, seta para a esquerda

Seu formato lembra o de uma televisão ou monitor, porém a parte de trás possui uma pequena lombada. Nesta lombada ficam grande parte das placas e chips do dispositivo, porém este formato também lembra um pouco a base de um porta retrato comum, que sempre se apóia em uma perna ou base. Este mapeamento natural facilita a compreensão do objeto.

Hoje em dia os porta-retratos digitais são muito procurados pelos consumidores, principalmente pessoas que gostam e tem intimidade com computadores, celulares, máquinas digitais e outros aparelhos tecnológicos. A grande vantagem do produto em cima do porta retrato comum é que, através de um dispositivo de armazenamento (pendrive ou cartão de memória), ele pode mostrar milhares de fotos ao invés de somente uma. Além disso, fica fácil tirar as fotos da câmera fotográfica digital e passar para o aparelho.

Estas fotos podem ser trocadas automaticamente de 10 em 10 segundos, 1 em 1 minutos, 5 em 5 minutos, uma vez por dia: cabe ao usuário escolher. Além da função principal, pode-se escutar rádio ou mp3, assistir a um vídeo à noite, ver as horas, programar um despertador para acordar de manhã, entre várias outras possibilidades.

Geralmente, este tipo de aparelho é colocado em um criado mudo no quarto do usuário, ou em uma mesa numa sala ou escritório. As fotos são transferidas pelo computador, ou simplesmente o usuário usa o próprio cartão de memória de sua câmera fotográfica.

Analisando a configuração do despertador

Para analisar a ação de configurar o despertador foi escolhido um usuário típico deste produto que possui câmera digital e uma boa relação com aparelhos digitais. Foi proposta a seguinte meta para este usuário: você quer acordar as 06:00 da manhã, por favor configure o aparelho.

A meta: Acordar de manhã as 06:00

A intenção: configurar e ativar o despertador para as 06:00

Ações: Ao análise rapidamente o aparelho, o usuário viu seis possibilidades que podem estar relacionadas ao despertador: os botões Alarm 1, Repeat Alarm e Alarm 2 no topo e Menu, Clock e Sleep na parte inferior frontal.

Ao apertar Menu, o usuário não encontrou nenhuma opção de configurar alarme; apenas para configurar o relógio do aparelho. Ao apertar Sleep, o aparelho começou a tocar uma música e apareceu um timer em sua tela.

Ao apertar os botões do topo, o usuário percebeu que eles não alteravam nada na tela.

Ao apertar o botão Clock, o usuário visualizou dois ícones de sinos, e fez uma ligação com outros ícones de alarme vistos por ele anteriormente .

Ao ver um sino do lado esquerdo com o número 1 e um sino do lado direito com o número 2, o usuário os associou ao botão Alarm 1 do lado esquerdo e do botão Alarm 2 do lado direito.

Ao apertar o botão Alarm 1 o sino da esquerda acendeu e ao apertar o botão Alarm 2 o botão da direita acendeu e o da esquerda apagou. Ao apertar duas vezes o mesmo botão aparecem ondas sonoras ao lado do sino respectivo.

Porém, para o usuário, ainda não estava claro como mudar a hora do alarme. Ao tentar apertar as setas laterais para cima e para baixo ou para a direita e esquerda a única coisa que aconteceu foram que as fotos mudaram.

O usuário então pressionou o botão Alarm 1 por algum tempo e soltou. O número da hora do alarme começou a piscar e ele disse que o relógio de pulso dele é configurado desta forma e que supôs que este também poderia ser assim.

Neste ponto, o usuário já foi direto para os botões com a seta para cima e para baixo e apertou até chegar na hora correta, após uma breve pausa para pensar, o usuário apertou o botão com a seta para a direta duas vezes para passar para os minutos, e ajustou os minutos usando as setas para cima e para baixo. O usuário disse que apertou duas vezes pois achou que os minutos poderiam ser mudados usando as setas para o lado, mas que ao ver que não funcionou, voltou às setas para cima e para baixo. Com a hora correta selecionada ele apertou o botão OK logo acima das setas.

Ao perguntar ao usuário se ele tinha terminado, este olhou para a tela por um tempo e disse que ainda não, que o alarme ainda não estava ativado pois o ícone do sino não estava com as ondas que apareceram anteriormente. O usuário apertou novamente o botão Alarm 1 e as ondas apareceram. O Alarme configurado e ativado.

Percepção do estado do mundo: O usuário percebeu vários feedbacks do objeto, como o clique dos botões ao serem pressionados, as ondas sonoras no ícone de sino do alarme, o número piscando para alterar a hora e o alarme selecionado destacado com a cor branca. Porém na hora em que o usuário apertou os botões Alarm 1, Alarm Repeat e Alarm 2 em outras telas que não a tela Clock, não ouve nenhum feedback na interface.

Interpretar o estado do mundo: A maioria dos feedbacks foram bem interpretados pelo usuário: as ondas sonoras, o alarme selecionado e o número piscando.

Avaliar o resultado: Houve confusão em relação a qual botão iria levar o usuário às configurações de despertador. No final, ele acabou acertando por eliminação das outras opções incorretas. O ato de pressionar por alguns segundos o botão Alarm 1 para configurar a hora não foi a primeira tentativa realizada pelo usuário, porém cria um vínculo com a convenção de outros aparelhos de hora digital como relógios de pulso, relógio de painel de automóvel, entre outros.

Apesar de alguns problemas de usabilidade e consequentemente dificuldades do usuário, ele conseguiu configurar a hora de maneira satisfatória e próxima as instruções do manual.

CONCLUSÃO

Algumas interações entre o usuário e o aparelho não são claras como o ato de pressionar por alguns segundos para poder ajustar a hora. O próprio local onde se configura o alarme não é claro: existem 6 botões que podem gerar dúvida no usuário e muitas vezes o processo de eliminação será utilizado, porém não é uma forma satisfatória.

Os botões do aparelho estão todos em inglês, porém a interface vêm configurada em português, ou seja, pode confundir o usuário. A tela Clock em sí possui um bom destaque para o horário atual e os elementos estão bem representados e localizados, porém não fica claro onde é possível alterar o horário atual: não é possível alterar o relógio nesta tela. Para tal, seria necessário apertar o botão Menu para configurar o horário. O despertador, porém é configurado na própria tela Clock. Não existe um padrão consistente entre os dois.

Através da memória cognitiva, o usuário conseguiu configurar a hora do despertador ao lembrar que é possível alterar o horário de relógios de pulso digitais ao pressionar o botão por alguns segundos. Porém, para outros usuário este comando seria impossível de ser adivinhado: ele teria que procurar no manual ou pedir ajuda.

Os despertadores são sinalizados por um sino, convenção que parece funcionar bem. Porém a única forma de saber se o despertador está ativo é o feedback visual das “ondas” de som saindo do sino. Esta sinalização é pequena e pouco funcional, principalmente pelo fato de que o usuário pode diminuir ou aumentar o brilho da tela do aparelho, e no modo mais escuro, fica praticamente impossível de visualizar. Em alguns casos o usuário pode achar que só de estar marcado o alarme número 1, ele já está ativado, porém isto não é verdade.

Os botões de direita e esquerda possuem um modelo mental incorreto: ao invés de serem posicionados lado a lado, um fica em cima e o outro embaixo, o que gera confusão.

O resultado obtido por este usuário foi satisfatório, em poucos minutos ele conseguiu configurar o despertador. Com algumas melhorias nos ítens citados acima, o processo poderia ter sido ainda mais rápido. Porém em um caso de usuário com uma menor habilidade e intimidade com outras interfaces digitais, a configuração teria sido praticamente impossível sem ajuda do manual ou de uma pessoa com maior conhecimento técnico.

Este e outros artigos em: http://www.desinteracao.com.br

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Norman, Donald A. O design do dia-a-dia. Rio de Janeiro: Rocco, 2006.

Preece, Jennifer. Design de Interação. Porto Alegre: Bookman, 2005.

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Bem interessante esse gráfico que mostra as relações sobre as diferentes perspectivas sobre o Design de Interação, a do Design e a da Interação Humano-computador.

O artigo “The Confluence of Interaction Design & Design: from Disciplinary to Transdisciplinary Perspectives” dos pesquisadores Eli Blevis e Erik Stolterman, fala sobre as duas perspectivas tendo em vista o conceito de transdiciplinariedade, que seria uma abordagem que ao mesmo tempo que se alimenta de várias disciplinas, transcende esses domínios não se prendendo a objetivos específicos. Vale a leitura.

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O Rafael já tinha postado isso antes, mas como tornou a postar, vale a pena a replicação da coisa, que é muito interessante.

Trata-se de uma apresentação feita pelo Vinay Mohanty sobre o rótulo e o conceito de user experience design e sua relação a usabilidade, design de interação, arquitetura de informação e por ai vai.

Are You An User Experience Designer
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Pessoal, quem foi da turma 1 de Design de Interação vai lembrar-se do projeto desenvolvido por Bruno Camargos e Ricardo Sodré, o IBUS.

Pois é, o Google e a BHTRans acabam de divulgar uma ferramenta bem próxima do que prototipamos.

Vejam: http://www.bhtrans.pbh.gov.br/portal/page/portal/portalpublico/Imprensa/bhtrans%20e%20google%20abrem%20caminhos

Abraços.

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Explicação de dois minutos sobre a importância do Design de Interação e qual sua ligação com o marketing.

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Vários projetos muito interessantes do curso de Design de Interação da Domus Academy na Itália.

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Pra quem não sabe (o que é difícil) o OLPC (One Laptop per Child) é um projeto sem fins lucrativos que desenvolveu um projeto chamado XO, um notebook super compacto, simplificado, voltado para atender crianças e estudantes em países pobres, para implementar a tal inclusão digital. Somente governos e instituições podem adquirir os computadores XO.

O projeto inicial era vender cada XO por no máximo US$100, mas parece que não é bem assim, o preço final acabou excedendo US$200. Em meio a tanta polêmica, a OLPC fechou acordo com a Microsoft, deixando de lado o discurso anti-MS.

Agora a bola da vez é esse protótipo da versão 2.0 do XO. Um laptop com duas telas touchscreen dobráveis. Um tanto sofisticada para um laptop popular né? Vamos ver onde isso vai dar…

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Tecnologia é vista como importante ferramenta de aumento de produtividade para adultos no ambiente de trabalho. No entando, quando se trata de crianças, produtividade não é bem o que elas precisam mais. Produtividade não é o motivo pelo qual elas passam horas mandando e-mail para seus amigos, nem quando passam dias brincando com um novo video-game. No entanto, isto não quer dizer que elas não fiquem frustradas quando o seu computador fica lento quando elas estão desenhando por exemplo.
Na maioria das vezes tecnologias podem preencher algumas necessidades importantes para crianças, podem propiciar, por exemplo, experiências sociais, controle do próprio mundo e criatividade.

Crianças são seres sociais. Quando se pensa em tecnologia para crianças um importante aspecto a se considerar é a habilidade da tecnologia para potencializar experiências sociais. Por exemplo, ao propiciar que crianças trabalharem juntas, tecnologias de uso pessoal podem ajudar nas atividades academicas e sociais beneficiando o aprendizado colaborativo. Uma visão do futuro inclui um mundo onde a tecnologia está difusa nos objetos e espaços do dia a dia aumentados pelo poder computacional. Existe portanto uma preocupação cada vez maior com o futuro para que estas aplicações que estão emergindo dos laboratórios de pesquisa realmente tenham a preocupação em suportar necessidades e atividades das crianças. Existe como consequencia uma necessidade real de pesquisa na area computacional, que suportem o desenvolvimento de futuras tecnologias para crianças.

O site do IDC (Interaction Design for Children) aponta as tendência na área:

  • Emerging technologies for children (e.g. innovative educational simulations, online games, accessible fabrication devices, mobile communications devices, wireless embedded technologies, sensors and actuators, smart materials, authoring / programming tools.)
  • The impact technologies can have on children’s lives (e.g. in schools, homes, and public spaces.)
  • New research methods that give children a voice in the design, development, and evaluation processes (e.g., participatory design methods, usability testing, design competitions and classes, innovative programming tools, etc.)
  • Special pre-conference workshop on designing technologies for children with special needs.

Como esse é o tema para a minha monografia (Interaction Design for Children e Emotional Design), tenho pesquisado bastante coisa. Para quem tiver interesse neste assunto descobri o site da Alisson Druin (autora sobre Interaction Design,) que tem excelente artigos sobre. Tenho postado também o que tenho encontrado no meu blog

Referencias
Druin A, Bederson B, Boltman A, Miura A, KnottsCallahan D, Platt M. Children as our technology design partners. In: Druin A (ed) The design of children`s technology. Morgan Kaufmann, San Francisco, CA, 1999; 51-72
IST. The disappearing computer. IST Call for Proposals, February 2000; http://cordis.lu/ist/fetdc.htm
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